Gente, é muito bom falar de cultura, moda, e assuntos leves, mas gostaria de informar que vez e outra compartilharei temas mais sérios no blog.
Sou assim, converso de tudo um pouco, e o que vale a pena ser dito estará presente aqui.
Graças a um trabalho de faculdade, que resultou de uma junção do documentário "Garapa" mais o livro "A invenção do nordeste e outras artes" (explicados abaixo), fiz o texto a seguir.
E por acreditar que vale a pena refletir...cá está!
Espero que gostem!
:)
Numa obra em preto e branco,
em meio a uma paisagem árida, “Garapa” (2009), do diretor José Padilha (46), mostra
a difícil vida de famílias pobres no Ceará. Sem trilha sonora, a não ser que contemos o choro das crianças como tal, o filme
arremessa os seus telespectadores à realidade de milhares de pessoas no Brasil,
mostrando-lhes a face da miséria.
De corpos seminus, no chão
batido de terra, as crianças lutam para engolir o alimento, insosso e
pouco cozido, do dia, junto ás moscas. As refeições, quando existem, tornam-se
quase uma ração para sobreviver dia após dia nessa cruel existência. Não há
escolha, é aquilo e ponto.
É perceptível uma estrutura
familiar antiga, que remete ao que foi apresentado no livro “A invenção do
Nordeste e Outras Artes”, de Durval Muniz de Albuquerque Junior, na qual a
mulher cuida da casa, da limpeza, da comida, dos filhos, enquanto o homem se
embrenha no mato, nesse caso, em busca da próxima refeição.
Sem arroz, sem feijão, muito
menos leite, tem-se a garapa, uma água açucarada. Por sinal, a partir de sua
fermentação surge a cachaça. E é com essa bebida que um punhado de pessoas
tentam esquecer a fome, a miséria, a desgraceira toda das suas realidades.
Em pleno século XXI, o governo com suas "Bolsas Famílias" e a "Fome Zero" finge se importar com esses seres. Para eles é algo
significante, e para o telespectador é algo infame. Quando faz-se conexões com a fome no país, a comida que vai para o lixo nas
residências, volta o penoso pensamento: “uns com muito e outros sem coisa alguma, sentindo a
dor da fome, da alma”.
A tristeza está estampada
nas linhas de expressão, queimadas do sol, da labuta diária, nos rostos, nos
olhares, nas palavras. Seja por ter nascido e vivido nesse ambiente hostil, com
condições desumanas (sem água limpa e saneamento básico, por exemplo), e seja
por ver os seus filhos sofrendo, desnutridos, com sede, sem medicamentos, sem futuro.
Largados ao léu, em meio a essa turbulência
de adversidades, sem grandes objetivos, com alguns sonhos e esperanças esmiuçados, os pobres esquecidos vão
apenas sobrevivendo ao caos.Segue o link para quem tenha interesse de assistir "Garapa": http://bit.ly/1mT6ZFN
Até mais!
By Gabriela Araújo


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